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Sunday, June 1, 2008

Blueberry pies

Once I wanted to be the greatest
No wind or waterfall could stop me
And then came the rush of the flood
The stars at night turned you to dust

Melt me down
To big black armour
Leave no trace
Of grace
Just in your honor
Lower me down
That corporate slob
Make a watch
For a space in town
For the lack of the drugs
My faith had been sleeping
Lower me down
In the end
Secure the grounds
For the later parade

Once I wanted to be the greatest
Two faced, sad little rock
When things I couldn't explain
Any feelings
Oh worn me down
In the end
Secure the grounds
For the lack of the drugs
My faith had been sleeping
For the later parade

Once I wanted to be the greatest
No wind or water fall could stop me
And then came the rush of the flood
The stars at night turned you to dust

Monday, April 7, 2008

Pizza e pistachios

Encomendaste o mau tempo? Disseram-me que já não se lembravam de chover tanto nesta terra. Vi há pouco um episódio da série do Mark Wahlberg, "Entourage", sugestão de um amigo semi-escocês. Muito bom. Tanta chuva e a porra da ironia de não ter água em casa. "Aqui nunca chove", dizia ele. O que eu queria mesmo era poder ir dormir na minha casa nova, comprar a Nespresso e pensar no George Clooney. A miúda está estafada, finalmente está a aprender o que é trabalhar.

Friday, February 15, 2008

S. Valentim

Acordei antes do despertador tocar e levantei-me. Já pronta, de fato completo, livro e iPod, dirigi-me à estação. O carro esperaria pelo meu regresso no parque, sendo o espaço por ele ocupado avaliado em dois euros, mediante a apresentação do bilhete no alfa (sabiam disto? Quem ensina coisas úteis, hã?).
Dirigia-me a uma das maiores consultoras mundiais, daquelas onde se suam as estopinhas para merecer as regalias - e são boas, as regalias - na Praça Marquês de Pombal. Ligeiramente enjoada pela mousse de chocolate caseira extra-doce ingerida numa esplanada de esquina (ainda me considero fumadora, embora tivesse de os largar), subi ao oitavo e último andar, tendo permanecido o tempo necessário à leitura do destaque do Público numa sala de espera com vista privilegiada para o estadista. Fui recebida por uma miúda muito gira com quem tinha falado ao telemóvel no dia anterior (gira do tipo que nos faz pensar "se o meu ex-namorado me tivesse trocado por esta, eu até percebia") e algum tempo depois já me encontrava defronte da estação, com uma hora e meia de espera pela frente.
De entre três ou quatro cafés ou restaurantes, escolhi um onde me pareceu maior a probabilidade de encontrar uma bola de berlim. Tinha acabado de atravessar a ombreira da porta quando ouço "Por aqui? Deves andar perdida!". Com o abraço veio-me o nome à memória, trocámos as novidades do útimo ano e ele, por fim, diz-me: "Finalmente vais conhecer o meu amor!". O namorado saiu da cozinha, reconheci-o das fotografias e fui-lhe devidamente apresentada. "Percebes agora porque é que a experiência do outro lado do Atlântico não foi boa? Eu tinha deixado a minha vida aqui!".
Parti com a promessa de lá voltar.

Tuesday, February 5, 2008

Wednesday, January 16, 2008

d' O Raio Que Me Parta

Risca, rasga
Ralha, rompe
Rejeita, recusa, ruge

E num repente

Recua, recompõe
Retrata, rodeia
Rasteja, ruboresce, ronrona

Friday, January 11, 2008

O Tubarão Leopardo

Vai-se deitando o pozinho da vingança na taça de cereais ao pequeno-almoço e mastigam-se bem as estratégias antes de engolir. As fibras ajudam a limpar o intestino; o nervoso miudinho ajuda ao processo.
Quando finalmente o cânone Jacques Cousteau estende o tapete vermelho para disfarçar as manchas de sangue e vemos as pintas do leopardo a crescerem no escuro, cada vez mais brilhantes, vai-se a coragem com as fibras e num falso sentimento de magnanimidade dizemos “eu não tenho dinamite”.
Ver o Willem Dafoe dizer-se incompreendido, a embirrar e bater com o pé no chão depois de filmes como “Platoon” faz bem à alma, mas subtrai-nos a acidez às entranhas.



















Captain Steve Zissou, startattookid


Thursday, January 3, 2008

andar, andei



uma casa na terra. foi isso que criei,

sabendo como pode ser difícil encontrar,
muitas léguas em redor,
uma luz com esse benefício.

andar, andei. fazia como via,
os outros a fazer. invocava
as coisas da manhã e escrevia,
com elas, a nossa redenção.

o universo seria o que quiséssemos.
a nervura do mirto, a essência nítida.
a curva do arroio, a intensidade
com que o sol tocasse a pele.

mesmo de noite, a busca prosseguia.
ao subir ao abismo do teu corpo,
ao descer à densa irrupção do teu olhar,
procurava apartar a escuridão, e dissipá-la.

podia ser possível renascer.
podia ser possível antecipar
o fundo aterrador que há na mágoa
com que o meu no teu rosto se procura.

bastava, só, falar. dizer que ódio,
ou que cegueira, pesava sobre nós.
que impaciência gelava o nosso sono,
que pesadelo aniquilava o sonho.

bastava, só, dizer o que podia,
ou não, ser feito, usando a linguagem
das aves desabridas, as ondas
que há no mar, o vento sobre os campos.

agora, sobre a terra, há só desilusão.
cavalos sem forragem, colheitas por fazer.
e golpes desferidos nos sicômoros,
que, como chagas, sangram.

nada nos perdoará a atrocidade.
nada nos redimirá por termos ido
ao arrepio da afronta, da tristeza.
sempre que te chamo não respondes.


Amadeu Baptista
[in Negrume, & Etc, composto e paginado por Olímpio Ferreira, 2006]


via Bibliotecário de Babel

























Two Figures (1953), Francis Bacon

Thursday, December 20, 2007

Condição Não Necessária e Suficiente


Trincar um quadrado de chocolate 1848 76% negro, acompanhado de um café sem açucar; ouvir a Fake Empire dos The National, com o carro desligado e as gotas de água a escorrerem pelo pára-brisas. Até agora tem sido...