Showing posts with label a vida. Show all posts
Showing posts with label a vida. Show all posts

Wednesday, October 29, 2008

O que fazer?

A little sincerity is a dangerous thing, and a great deal of it is absolutely fatal.

Oscar Wilde

Friday, March 28, 2008

Odeio a TAP

Seja porque é de madrugada e por norma estou mais sensível nesta altura do dia, seja porque acabei de estar com amigos, seja porque o gato veio cumprimentar-me à porta quando cheguei, seja lá pelo que seja, raios, vou ter de fazer as malas outra vez. E não é porque tenho de lá tentar enfiar a roupa que vou usar nos primeiros 15 dias e nos restantes 5 meses e meio (até voltar para reabastecer ou comprar nas lojas, porque lá há lojas; até tem a loja do vestido que eu vou comprar, o cai-cai comprido até aos pés). Roupa, secador, carregador do telemóvel, do portátil, da máquina fotográfica, creme para o cabelo, para a cara, para o corpo (odeio a TAP e o limite de peso na bagagem), e a porcaria do livro enorme que escolhi começar a ler precisamente agora (as mulheres não sabem escrever romances curtos; se também os livros tivessem limite de peso, só tínhamos escritores no masculino).

Estive a vasculhar uns sites para aluguer de casas e já descobri a minha. A experiência em Marrocos diz-me que quando me apaixono à primeira vista por uma casa, sai-me caro (mais precisamente 650 euros por mês; quem mais paga isto por um estúdio em Rabat?). No entanto, em abono do meu sentido estético, quem lá entrou ficou boquiaberto pela decoração e restantes apetrechos tecnológicos. Quero casa pequenina, com cama grande, microondas e forno (é desta que vou aprender a fazer cozinhados mais elaborados). Tenho lá a Worten, para comprar a máquina de café, e de chá, e a Fnac, que em nada fica atrás da sua congénere de matosinhos, segundo informação de conhecedor.

A equipa de trabalho é constituída por pessoal jovem, a média de idades deve rondar os 30 anos. O código de vestuário consiste apenas numa pequena regra: não usar t-shirts com logótipos de futebol e não usar havaianas.

Estava eu a dizer que, seja lá pelo que seja, não era por causa de fazer as malas. Mas, também já não consigo lembrar-me pelo que era.

Sunday, March 16, 2008

Porque eu gosto (iv)




O que vos digo, meus amigos, é que é tudo uma questão de equilíbrio. As leituras, tenho-as a cargo de Marquês de Sade; na música procuro anjos.


Ps- Viram como pulsa o sangue nas mãos do anjo? Ele tem veias, tem veias. I made a lot of mistakes.

Wednesday, March 12, 2008

Males do Mundo (ix)

A mania que os homens têm de se preocupar com a linha. Passam o tempo a contar calorias, a correr para e nos ginásios, a controlar os hábitos alimentares da namorada. Não há nada como um homem que aprecie um bom prato, saiba fazê-lo acompanhar de uma bebida, cultivando assim a gordurinha ao fundo da barriga que tende a espreitar por sobre o cinto das calças.

Wednesday, March 5, 2008

d' A Partilha

Essaouira, Outubro de 2007


All the songs have been sung
You’re too old and then you’re too young
Did you leave your mark on the world
One as deep as true love
Let’s sing Hosanna

All the stories are told
You’re too young and then you’re too old
Did you leave a mark on the world
One that lasts as long as true love
Take me with you now

To be strung as high as this
Making love without a kiss
And someone you saw again
Back to haunt you there and then
Please take on my love

Evolution is real
Secrets we have never revealed
Did you leave your mark, was it real
Or as deep as the love we both feel

To be strung as high as this
Making love without a kiss
Like a gift you didn’t keep
And it leaves a mark so deep

There’s a million things to miss
Like the chance to take that kiss
where you go, you’ll be someone
With one kiss your life is swung

What you gonna do when you walk away
Walk behind me, it’s alright, I’m Ok
Then what will you do if I walk away
Walk beside me, it’s alright, we’re Ok
Where you gonna do, don’t surrender
Hold me tight, don’t let go


Without A Kiss
, Badly Drawn Boy
Born In The U.K. (2006)



PS - Já viram o álbum? É um passaporte detalhado no interior. É pena que hoje em dia este tipo de grafismo tenha caído em desuso.

Saturday, March 1, 2008

Peixe-Voador

Tenho de escrever, e tem de ser já, porque a memória já não é o que era e estou ansiosa por descrever aquela manápula agarrada ao meu copo. Mas, vamos por partes, que a noite foi um crescendo de surpresas e insólitos e, já que tenho de escolher uma ordem para os relatar, que seja a cronológica, para retirar a subjectividade à coisa.

O plano consistia em jantar no novo restaurante do Adolfo Luxúria Canibal, em Braga, que iria iniciar-nos na arte da degustação de sushi. O restaurante esconde-se por detrás da velha Sé de Braga, mais precisamente na rua do Forno, nº 17, numa viela empedrada onde o granito certamente nunca almejou dar forma a um espaço para ingestão de peixe crú. Depois de termos sido devidamente alertados para o sabor intenso das ovas de salmão, peixe-voador e um primo afastado, que o afável proprietário denominou de "navios de guerra", deu-se início ao festim de cores, têxturas e sabores.
No final da refeição, enquanto o saquê arrefecia nos pequenos copos, o Adolfo discorria acerca do Metro do Porto. "Aquilo não é um metro, é um eléctrico rápido", dizia. Eu acho que ele gosta de dar nomes às coisas.

Pedimos conselho aos nativos sobre um bar, situado perto do restaurante e, preferencialmente, onde pudéssemos fumar. O espaço que nos indicaram era muito agradável e explorado por seres tementes à ASAE, a avaliar pela quantidade de luvas de borracha, - das que se compram nas farmácias - que o cozinheiro utilizava para fazer uma tosta-mista.

Não me recordo qual o assunto preciso que discutíamos naquele momento, mas a conversa decorria animada quando, do nada, surge uma grande manápula branca que abre caminho por entre garrafas vazias e levanta o meu copo. A Super Bock Stout deslizou por entre os lábios de um homem alto, de fato, bem-parecido, de olhos e cabelos negros sobre o comprido, que reconheci do restaurante do Adolfo. "Espero que lhe tenha sabido tão bem quanto me estava a saber a mim!". Ele estava completamente, e passo a citar, "descomandado" - penso que consegui adivinhar-lhe o significado - e explicou-nos que o propósito dele às 19h daquele mesmo dia nunca tinha sido ter um jantar frio, de peixe crú. "Eu saí de casa e pensei: Hoje, nada de álcool. Sim, porque eu sou muito amigo do álcool. Vou comer um bife guloso. Mas, o Canibal viu-me passar e disse: Anda cá! - e pronto, ainda aqui estou." Esta personagem, de 38 anos, era professor. Os alunos, que já não via há 4 anos, ainda lhe escreviam cartas, o que ele poderia provar. Era extremamente culto e exprimia-se num português correcto, recorrendo a uma riqueza de vocabulário difíceis de encontrar hoje em dia, pelo menos nas gerações mais novas de professores com quem já tive contacto. O Mirandela, ou Jorge por baptismo, deu-se a conhecer ao longo de uma hora, encostado à nossa mesa, de pé, e estou certa de que a impressão que deixou em mim, deixou-a também em quem mais o ouviu. Em noite de estreia num restaurante japonês, pela madrugada dentro a falar sobre alheiras.

Wednesday, February 27, 2008

Males do Mundo (viii)

Grande parte das vezes, quando temos uma escolha a fazer entre duas opções, cujo tempo de vida depende de outrém, temos tendência a esperar que o tempo (que essa outra entidade leva a agir), o faça por nós. “Eventualmente isto vai ficar resolvido, mais não seja porque não depende apenas de mim”. Este tipo de atitude implica, seja qual for a decisão final, que esta releve sempre de uma opção imposta, com os sentimentos negativos que tal acarreta. Eliminámos à partida os 50% de probabilidade de um consenso em torno da nossa escolha e acabamos a desejar aquilo que não chegaria a ser.

Saturday, February 23, 2008

Brett Whiteley

Porque é que gosto do Brett Whiteley? Gosto, porque ele disse-a toda:

- When I'm not fidgeting with infinity, I'm just fidgeting.
- I can't stand mindless purity - I have soaked myself in scepticism and am by nature magnetised to bitterness.
- Everyone reaches a point in their life where they must either change or cease.
- Everything is such a sort of stoned state... I walk around with a bunch of violets in my hand and a sledgehammer and a grain of sand in my head.
I am happy.



Wendy, 1984



Friday, February 15, 2008

S. Valentim

Acordei antes do despertador tocar e levantei-me. Já pronta, de fato completo, livro e iPod, dirigi-me à estação. O carro esperaria pelo meu regresso no parque, sendo o espaço por ele ocupado avaliado em dois euros, mediante a apresentação do bilhete no alfa (sabiam disto? Quem ensina coisas úteis, hã?).
Dirigia-me a uma das maiores consultoras mundiais, daquelas onde se suam as estopinhas para merecer as regalias - e são boas, as regalias - na Praça Marquês de Pombal. Ligeiramente enjoada pela mousse de chocolate caseira extra-doce ingerida numa esplanada de esquina (ainda me considero fumadora, embora tivesse de os largar), subi ao oitavo e último andar, tendo permanecido o tempo necessário à leitura do destaque do Público numa sala de espera com vista privilegiada para o estadista. Fui recebida por uma miúda muito gira com quem tinha falado ao telemóvel no dia anterior (gira do tipo que nos faz pensar "se o meu ex-namorado me tivesse trocado por esta, eu até percebia") e algum tempo depois já me encontrava defronte da estação, com uma hora e meia de espera pela frente.
De entre três ou quatro cafés ou restaurantes, escolhi um onde me pareceu maior a probabilidade de encontrar uma bola de berlim. Tinha acabado de atravessar a ombreira da porta quando ouço "Por aqui? Deves andar perdida!". Com o abraço veio-me o nome à memória, trocámos as novidades do útimo ano e ele, por fim, diz-me: "Finalmente vais conhecer o meu amor!". O namorado saiu da cozinha, reconheci-o das fotografias e fui-lhe devidamente apresentada. "Percebes agora porque é que a experiência do outro lado do Atlântico não foi boa? Eu tinha deixado a minha vida aqui!".
Parti com a promessa de lá voltar.

Males do Mundo (vii)

Por vezes cometemos erros tão bons (e que sabem tão bem), que só dá vontade de os cometer novamente.

Wednesday, February 6, 2008

Males do Mundo (vi)

Por vezes, é necessário deixar cair um objecto na sanita no decurso da satisfação de necessidades básicas, para nos vermos obrigados a atribuir-lhe um valor.

Tuesday, February 5, 2008

T&R



The glove compartment isn't accurately named
And everybody knows it
So i'm proposing a swift orderly change

Cause behind its door there's nothing to keep my fingers warm
And all i find are souvenirs from better times
Before the gleam of your taillights fading east
To find yourself a better life

I was searching for some legal document
As the rain beat down on the hood
When i stumbled upon pictures i tried to forget
And that's how this idea was drilled into my head

Cause it's too important
To stay the way it's been

There's no blame for how our love did slowly fade
And now that it's gone it's like it wasn't there at all
And here i rest where disappointment and regret collide
Lying awake at night

There's no blame for how our love did slowly fade
And now that it's gone it's like it wasn't there at all
And here i rest where disappointment and regret collide
Lying awake at night (up all night)
When i'm lying awake at night

Title and Registration, Death Cab For Cutie


Nunca, pelo porta-luvas do meu carro, passou um par de luvas. Já testemunhei várias utilizações para este compartimento, desde o simples armazenamento dos manuais do automóvel ao arrojado suporte de postais de fotografias de mulheres semi-nuas. O meu albergou cassetes gravadas e regravadas sem caixa, canetas, tubos de cola, todo o tipo de papeladas que faço dançar em frente aos olhos do sr. agente que tem o infortúnio de me pedir o comprovativo da última inspecção, colheres de plástico para comer Häagen-Dazs em dias chuvosos ou invólucros de preservativos rasgados, cuja presença tende a alternar com a das ditas colheres.
Em suma, estou plenamente de acordo com o tipo dos Death Cab For Cutie.

Thursday, January 31, 2008

Males do Mundo (v)

Enganarmo-nos a nós próprios resulta invariavelmente em enganar mais alguém.

Friday, January 25, 2008

d'A Ignorância

k diz:
estes tipos n percebem mm nada daquilo q se escreve, pois n?
eli diz:
caga nisso
k diz:
eu n me chateio. só incomoda ver que há tipos q n entendem.
eli diz:
sim, mas gajos burros ha por todo o lado
eli diz:
o mundo seria um local mt menos divertido se assim n fosse

Wednesday, January 23, 2008

Males do Mundo (iv)

Hoje vi um jardim com rodas.
Nos dias que correm, tudo é móvel, tudo é transferível, desde a troca de emprego, à casa, até à mudança de país de residência, de marido ou de mulher.
Nunca me tinha ocorrido que a mobilidade se alastrasse às plantas de jardim, pelo desvirtuar do conceito de raízes, de crescimento vertical, do passar do tempo na relativa (à vida humana) imutabilidade da paisagem, quando esta não é feita de cimento.
De dia para dia vejo perderem-se cada vez mais pontos de referência.



Friday, January 18, 2008

In-como-dar

Regressei há exactamente uma semana. Quando me sentei à mesa durante o jantar incomodaram-me as peles macilentas e os olhares no vazio, a falta de interesse pelo repertório que tinha trazido para a primeira noite.
Jorrei trivialidades sobre o prato, com os pés de molho numa bacia de puro egotismo, enquanto o meu pai tentava aparentar o apetite de uma pessoa saudável para eu não me desacomodar. O meu conforto era o mais importante. Eu sei que sempre foi assim; um patamar etário para o vermos e um outro para o reconhecermos.

05.11.2007

Wednesday, January 16, 2008

As indecisões do costume


(já agora aproveito para sugerir a auscultação -uh, huuuh; uh, huuuh- da versão por Cat Power e Karen Elson)

Friday, January 11, 2008

Males do Mundo (iii)

Quem tiver animais de estimação não vai ter qualquer dificuldade em perceber este post.
Na circunstância da morte do cão ou do gato, ou quando qualquer outro tipo de separação menos definitiva mas igualmente eficaz tem lugar, a questão da sua substituição nem chega a ser colocada pelo próprio e despoleta reacções negativas quando levantada por terceiros. "Mesmo que traga para casa outro gato, nunca terá igual misto de maquiavelismo e meiguice", e por aí adiante.
Já o terminar de uma relação entre dois seres humanos dá origem a sentimentos bem diversos. "Daqui a uns dias, arranjas outro".
A insubstituibilidade dos animais, face à substituibilidade dos humanos.











Hobbes hitler (atentem no bigodinho)

Monday, January 7, 2008

Beauty

Isabelle Adjani


Esta mulher é lindíssima. Descobri-a no filme "A Rainha Margot", ou talvez tenha sido no filme "Camille Claudel". Se bem me lembro, o "Rainha Margot" não é um filme a rever. Pelo contrário, o seu desempenho como Camille não mais me deixou esquecê-la.

Foi através dele que tomei conhecimento da relação tempestuosa entre Claudel e Rodin, retratada num post anterior. É para mim um tema recorrente, pela admiração que nutro pela entrega de Camille sem reservas, o consumir-se num amor que a levou ao desespero e finalmente a um hospício, onde veio a morrer. Uma escultora talentosa, acerca da qual poderão encontrar informação aqui.